Poucas bandas marcaram tanto os anos 90 quanto o Primal Scream.
O grupo já participou das mais diversas cenas musicais da década e fez
sucesso em grande parte delas, ajudando a construir boa parte do que
hoje recordamos da sonoridade época e, se fizessem um livro sobre a
história musical do período, certamente os caras ganhariam um capitulo
inteiro ou apareceriam em vários deles.
Criada em meados dos anos 80, o grupo inicialmente era formado por
Bobby Gillespie, ex-baterista de do Jesus and The Mary Chain (banda
importantíssima para a o Noise Pop e para cena alternativa dos anos 80),
e por Jim Beattie. Com a necessidade de mais músicos, conforme sua
sonoridade ia se expandindo, a banda também foi aumentando.
O Primal
Scream é um daqueles grupos de formação inconstante, cheio de partidas e
chegadas - inclusive, um dos membros fundadores, Beattie, já não faz
mais parte do grupo.
Quando eles surgiram, o que rolava nas rádios e nas casas de muita
gente era um reflexo do que dominará todo os anos 80: o Synthpop e o fim
da onda New Wave. Já no meio alternativo, além do Noise e Shoegaze, que
começava a ganhar força (uma boa representante deste movimento foi
ex-banda de Gillespie), surgia um fenômeno cultural que foi
revolucionário nos anos 90 do qual a banda fez parte: a cultura Rave.
Os primeiros discos Sonic Flower Groove (1987) e Primal Scream
(1989) entrariam em um pequeno rodapé na história da banda
primeiramente por não conterem nada dos elementos que os consagraram e
porque não acrescentarem nada à música da época, sendo somente mais uma
em meio a um monte de bandas com um som pretensiosamente Pop que se
escondiam no meio alternativo.
Em 1991 a banda achou seu rumo e o sucesso comercial e de crítica com o disco Screamadelica,
a grande obra prima da banda. Foi um álbum absurdo para a época (e pros
dias atuais também) misturando Acid House com o Rock Alternativo, coros
Gospel e muito da Psicodelia Pop e da música Rave, fazendo um tremendo
estouro e tornando-se um disco chave na sonoridade da década.
Em 94 lança "Give Out But Don't Give Up", nasce como uma obra marcada pela coletividade dos arranjos e versos,
conceito reforçado no imenso time de instrumentistas, vozes femininas.
Turnê badalada e casas lotadas, a vida do grupo depois daquele disco
nunca mais foi a mesma. Porém, nem tudo ia tão bem assim. Grande parte
da banda estava enfrentando um problema com drogas pesadas e, por conta
disso, seu próximo álbum foi um recorte das sobras do anterior, sendo
recebido de forma mista pelo público e bem mal pela imprensa. Nessa
época, a banda entrou num hiato de quase três anos e quase se
desintegrou, mas voltou triunfante com Vanishing Point (1997),
que, mais uma vez inovando, deixou o maior sucesso do grupo de lado e
fez um disco inspirado na Psicodelia Pop dos anos 60 e no Dub - isso
mesmo, aquele ritmo misto do Reggae jamaicano com as batidas eletrônicas
do Reino Unido. Mais uma vez, sucesso. Como podemos ver na faixa Kowalski, a banda se reinventou novamente e esse exótico disco trouxe os caras de volta às paradas e às graças dos críticos.
E que tal se reinventar de novo? Entrando na nova década, o grupo descobriu sua vertente politizada com XTRMNTR (2000) e abandonou o hedonismo que dominava até agora e passou a fazer ácidas criticas políticas em Evil Heat
(2002). Essa mudança veio acompanhada de uma instrumentação raivosa e
barulhenta, com feed-backs, distorção ao máximo e muita raiva.
Passados quatro anos da fúria e rebeldia contra o sistema, Riot City Blues
(2006) parte para algo mais tradicional, coisa que nunca tínhamos visto
na carreira da banda até então. O disco é um apanhadão de referências
do Rock sessentista e é o primeiro sem nenhum elemento eletrônico - esta
foi a forma de “inovação” da banda nesse lançamento.
Em sua obra, Beautiful Future (2008), a banda comete seu
segundo maior deslize: a tentativa de fazer um álbum de Britpop 10 anos
depois de Damon Albarn ter declarado o óbito do estilo. É claro que não
deu certo e a tentativa de trazer diversos produtores badalados (Paul
Epworth e Björn Yttling) acabou por se tornar uma espécie de
"Frankenstein Pop".
Em 2013 saiu "More Light" se revela como um dos trabalhos mais complexos e, ainda assim,
acessíveis de toda a discografia do Primal Scream. Trata-se de uma clara
colisão de ideias e fórmulas instrumentais
Chaosmosis de 2016, está longe de ser encarado como um peça
significativa na discografia do Primal Scream. Versão simplificada do
som explorado três anos antes durante a produção de More Light (2013), o trabalho de dez faixas soa como um mero replicar de ideias e conceitos há muito explorados pela banda,
O Primal Scream teve para a música contemporânea e, acima disso, a
relevância que mantiveram durante quase duas décadas. Hoje em dia, a
banda vive do seu passado.
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